
A emoção, como tudo que é humano, não tem hora para aflorar. E hoje eu chorei. Chorei e não sei por quê. Apenas chorei. Um choro aparentemente sem motivo. E, sabe, foi muito bom ter chorado. Foi bom porque, há alguns dias atrás, cheguei a pensar que nunca mais choraria. E me questionei se eu ainda era humano ou estava robotizado, preso no que eu queria ser, sem dar chances ao que eu deveria ser. Chorar me trouxe alegria, paz e mais uma série de sentimentos de plenitude. Chorar me fez sorrir. Chorei sinceramente, vorazmente, como nunca havia feito. Ri da mesma forma. E aquelas lágrimas lavaram minha alma, que agora parece estar novinha em folha, revigorada. Cada linha de lágrima que se formou no meu rosto, valeu mais que mil linhas escritas por mim em versos ou trechos. Foi a prosa da alma.
Quando chorei tudo que podia, e a última lágrima escorreu dos meus olhos, certifiquei-me que os sentimentos falam mais que as palavras, têm mais a dizer. E são muito felizes naquilo que dizem, pois dizem a verdade. E não é qualquer verdade. É a verdade absoluta, divina, incontestável, que é um produto que está fora do alcance artificial, acessível apenas ao natural, ao humano. Parecia que eu tinha passado o dia em aulas sobre a vida, e que várias dúvidas tinham sido esclarecidas. Comprovei que não há nada mais didático do que o sentir. Foi bom não ter razão ou sentido para chorar. Eu fiz o que eu não fazia há tempos: eu existi.
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