Altas horas da madrugada e não consigo dormir. Há uma angústia dentro de mim sem explicação aceitável. A única certeza que tenho é que está me consumindo aos poucos, tomando conta de mim. Que triste! Não há ninguém aqui comigo. Tenho como companhias apenas esse lápis velho e meia lauda. Espero que me compreendam, preciso muito de ajuda: quero desabafar e só vocês podem presenciar tal fato, serão testemunhas de um vandalismo mental. Eu devo estar cego ou não quero enxergar a verdadeira face da minha situação.
Eu preciso descansar, tenho muito que fazer ao amanhecer, mas não consigo; sou um vulcão de idéias entrando em erupção. Só tenho vontade de gritar, de dizer a tudo que for vivo o que cada um merecer escutar, de organizar minhas ações e destiná-las a um fim gratificante, que coadune com meu momento. Conseguir circunspecção nesse momento me parece impossível. Minhas mãos não param, minhas linhas não se acabam, meu grafite não rompe, meus atormentes não me dão trégua. Eu, escravo de mim mesmo, perambulo sem destino. Escrevo e escrevo, entretanto não digo nada, penso e penso e não obtenho conclusões coesas. É uma espécie de pesadelo... Será que durmo? Alguém me belisque, por favor.
Ah, Noite! Sempre tão calma e reveladora. Senhora do silêncio e da solidão. Companheira dos angustiados, tirana dos arrependidos, mãe da paz de espírito e fonte de energia. Lá vem o Dia, Noite! Com toda sua beleza. Fazer-nos enxergar de novo o mundo: nu, cru e cruel. São tantos desafios, há tanto por fazer. Estou disposto! Não farei do dia noite, da noite um diário, do tempo um calvário, da vida um cenário; cenário de dor. Boa noite.
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